Lutas, aspectos emocionais

03/11/2015

Uma regra das lutas contemporâneas são as categorias, que colocam, frente-a-frente, os iguais. Mas a regra não foi utilizada no minicurso sobre os aspectos emocionais das lutas realizando pela ABRAPESP. As apresentacões colocaram lado-a-lado inserções, percepções teóricas, práticas e de articulação com o mercado, diferentes, mas que levaram os  inscritos a conhecerem as visões de três profissionais por três angulos.

 

ANÁLISE ACADÊMICA

 

O Dr. Cristiano Barreira, Professor Associado da USP junto à Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto, começou sua apresentação conceituando lutas, área que ele vem estudando há cinco anos: a fenomenologia do combate.

 

- Uma surpresa no início de minhas pesquisas é que, até então, não existia na literatura um conceito de luta. Ela costuma ser apresentada como uma metáfora do conflito. Só que, nesses termos, perde-se a dignidade própria da luta. Porque quem luta, não está lutando em razão de existir um conflito, está lutando motivado pela própria luta, mesmo que seja para vencer. E não porque ele tenha um problema para resolver com o outro. De fato, embora haja outras hipóteses, do ponto de vista histórico o surgimento das lutas costuma estar associado ao combate pela sobrevivência, tendo o conflito como ponto de partida. Só que as lutas nas artes marciais e nas modalidades esportivas deixam de ser isto. As pessoas se encontram e só podem lutar, porque cooperam entre si. Eu nunca aprenderia a lutar se não tivesse alguém disposto a me ensinar a lutar sem me ferir. Enquanto mestre, ele não me destrói, mas me constrói como artista marcial ou como atleta, ele vai modulando a intensidade combativa conforme a capacidade que desenvolvo. E isso, no mais das vezes, me pressionando a ir além do que já posso.

 

- Mas também tem o outro lado, continua Cristiano - sendo dominado por alguém mais capacitado que ele, não é incomum que o praticante experimente a perda do autocontrole. É por isto que o progresso naquela prática vai se desenvolvendo como uma carreira emocional. Na medida que, para conseguir lutar,  ele vai ganhando domínio técnico e autocontrole, ele vai crescendo como lutador. Ou seja, no corpo a corpo com o mestre ele vai incorporando sua maestria . E a razão disso é simples: se ele se mantiver no estágio de baixa tolerância, ficará vulnerável, tanto técnica quanto emocionalmente. Nessa condição é como se ele deixasse de ver o adversário  e para lutar não é possível desconsiderar o que o oponente está fazendo. Lutar é, portanto, conseguir seguir enxergando o outro. Essa é uma faceta central do cuidado ético e da formação  que todas as lutas são capazes de pôr em exercício. Aqui adentramos também o terreno da variedade histórico cultural em que cada arte marcial emula seus valores, com suas colorações e particularidades interferindo nestes aspectos emocionais.

 

ATENDIMENTO AOS ATLETAS PROFISSSIONAIS

 

Do outro lado da moeda, o psicólogo Jorge Luís Marujo mostrou o dia-a-dia do atendimento aos atletas profissionais e o convívio com um negócio que gera um retorno financeiro gratificante, mas que por visar o lucro, lida com uma pressão diferente dos atletas olímpicos. Em contrapartida, segundo Marujo:

 

- Com o boom do UFC, abriu-se uma área de atuação para os profissionais das ciências do esporte, que além da visibilidade e retorno financeiro, oferece estruturas muito bem montadas.

 

APRESENTANDO ATIVIDADE

 

Thabata Telles da Universidade Federal do Triângulo Mineiro optou por realizar uma pequena atividade baseada no trabalho que costumava fazer com os atletas na clínica. 

 

- Quando comecei a acompanhá-los, tinha dificuldade para encontrar referências, tanto de cunho teórico como prático, de atuação em psicologia do esporte a partir da perspectiva fenomenológica. Com isso, senti a necessidade de desenvolver esta possibilidade de trabalho, montando alguns recursos passíveis de uso, tanto no contexto clínico como esportivo - diz Thabata


A atividade que foi realizada no minicurso teve o objetivo de ressaltar a experiência vivida do atleta na relação com a luta que pratica, elucidando e compreendendo os aspectos emocionais que possam surgir . Esta compreensão se configura como ponto de partida para o profissional de psicologia do esporte, realizando estratégias e intervenções que façam sentido a quem pratica, ao invés de técnicas preparadas previamente, por vezes desvinculadas da experiência vivida do atleta.

 

 

 

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