Professores, feliz dia! Os formadores dos profissionais da Psicologia do Esporte!

Atualizado: 16 de out. de 2021

Dia dos Professores!

Parabéns para todos que nos auxiliam na construção do conhecimento e superação de desafios.


E neste dia, por que não, falar da formação do professor da área da Psicologia do Esporte?


Para discorrer sobre o tema conversamos com quatro deles: Cristiano Barreira, Luciana Angelo, Telma Matos e Rodrigo Pieri.



Antes de mais nada, temos que falar um pouco sobre a formação específica em Psicologia do Esporte. Daí vem a pergunta: "a Psicologia do Esporte é uma ciência emancipada da Psicologia e pertencente às ciências do esporte, ou é uma área da Psicologia, própria da Psicologia?, apresenta Rodrigo Pieri


Segundo o professor Cristiano Barreira, em alguns países, um profissional de educação física, com uma especialização, pode atender como psicólogo do esporte, nos Estados Unidos, por exemplo.


"É uma formação mais técnica. Ele só não pode fazer os atendimentos ditos clínicos, quer dizer, atendimentos à pessoa com psicopatologias", apresenta Cristiano.


Não é o caso do Brasil que, segundo o Prof. Rodrigo Pieri foi um debate comum no início da década de 2000: "a Psicologia do Esporte é uma ciência emancipada da Psicologia e pertencente às ciências do esporte ou é uma área da Psicologia, própria da Psicologia?"


"Certificar esta especialização em Psicologia do Esporte se faz importante no sentido de aproximar da matéria mãe que é Psicologia. Um psicólogo do esporte precisa saber de várias outras coisas que perpassa na formação do curso de psicologia: psicologia e instituições, organizacional, clínica, social, comunitária e tantas outras. Por isso considero tão importante o movimento do Conselho Federal de Psicologia naquele momento", complementa Pieri.


Cristiano comenta a formação dos professores:

- A formação do professor no campo da Psicologia do Esporte precisa sempre ser pensada do ponto de vista da sua historicidade, do seu tempo, de características que dizem respeito ao desenvolvimento de uma área. É diferente de você passar da condição de aluno para quem vai passar a ensinar as pessoas que vão se formar naquela profissão. Isso passa por experiências, experiências profissionais, como também pela aquisição de títulos que deem legitimidade a sua atividade. É um caminho tortuoso na sua formação, já que trabalha com educação física e psicologia. Sendo que a disciplina Psicologia do Esporte já é comum nas grades curriculares dos cursos de graduação em educação física, mas o contrário não


- Se hoje consideramos este caminho menos tortuoso, deve-se ao desenvolvimento da área, que nos últimos anos, possibilitou o acesso a cursos de especialização, mestrado e doutorado.


Luciana complementa: "Demorou quase duas décadas para ter um número de profissionais que fizessem suas especializações, mestrado e doutorado, prestassem concursos e ocupassem estas cadeiras.


É importante a gente ter uma formação voltada para a teoria e a prática, porque a ciência se faz através da ação, teoria e prática. Acho que a psicologia tem um conhecimento bastante importante e com o esporte precisa sempre desenvolver um campo que ainda não é totalmente conhecido ou valorizado. Daí, formar professores, mais do que isso, oferecer uma boa formação para as pessoas que se interessam pela área é fundamental.


Quando fazemos ciência, nos afastamos e refletimos sobre rotina e cotidiano. A ciência transforma a realidade objeto de investigação e permite a construção do conhecimento científico sobre o nosso campo real.


- A psicologia colabora com o estudo da subjetividade. Olhamos para o homem sob suas diferentes possibilidades de expressão; para o comportamento, por exemplo, que são as expressões visíveis e as invisíveis, que são os sentimentos; para as questões mais singulares, porque somos o que somos; e para as questões genéricas, todos nós somos de uma determinada forma. Olhamos para o homem-corpo, o homem-pensamento, o homem-afeto, o homem-ação, tudo isso sintetizado no campo da subjetividade. E ela é construída a partir das relações sociais, das nossas vivências, e constituição biológica, no fundo ela também é uma fonte das manifestações afetivas e comportamentais desse homem. Passamos a pensar um pouco mais sobre nossas características, por isso vemos este homem em movimento quando estamos olhando para a Psicologia do Esporte", diz Luciana


Para a área se desenvolver é fundamental que tenhamos esta ciência tomando um corpo, volume, tendo sua importância.


Além da carreira acadêmica, temos áreas de atuação, dentro da Psicologia do Esporte, relacionadas à iniciação esportiva, desenvolvimento da carreira esportiva, ao alto rendimento, ao movimento nos momento de lazer, exercício ou atividade física como ação terapêutica, cuidados com a saúde, cuidados com a reabilitação, e a apoio a formação em pesquisa, extensão.


Para fechar, que tal um relato da experiência aliada a ciência?


Telma Sara Queiroz Matos, graduada em educação física e em psicologia. Mestre em educação e doutora em psicologia. Foi psicóloga de uma equipe de alto rendimento em atletismo, durante cinco anos. Concomitantemente, foi trabalhando na sua formação. Hoje é professora da Universidade Estadual de Minas Gerais, em Ituiutaba, desde 2015. Entrou com a proposta de colocar a disciplina Psicologia do Esporte na grade obrigatória do curso de psicologia, e não optativa como estava no programa. O mesmo na graduação de educação física. Hoje isso já ocorre.


"O ideal seria que a psicologia do esporte fosse trabalhada no tripé: pesquisa, ensino e extensão. Na universidade onde trabalho os nossos alunos estão tendo a oportunidade de ensino e extensão. Inclusive oferecemos estágio profissionalizante em Psicologia do Esporte. Temos que lembrar sempre de ciência e profissão: psicologia é ciência, psicologia do esporte é ciência. Temos hoje uma bibliografia genuinamente brasileira que nos respalda. Temos hoje grandes legados que estão por trás que podemos discutir e disseminar conhecimento. Na minha formação eu tive que procurar o conhecimento em várias áreas, porque ne